Ato em defesa do SUS cobra reestatização da saúde em Porto Alegre
Protesto ocorreu em meio a desvio de emendas na saúde
Publicado: 25 Setembro, 2026 - 09h53 | Última modificação: 25 Setembro, 2026 - 10h27
Escrito por: Sintrajufe RS | Editado por: CUT-RS
O Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul (Sintrajufe/RS) participou, na última quarta-feira (23), de ato público em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). A mobilização, ocorrida em frente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), defendeu uma saúde pública de qualidade e se posicionou contra o avanço das terceirizações em Porto Alegre.
No mesmo dia, ocorreram protestos contra a falta de luz. O diretor do Sintrajufe, Marcelo Carlini, destacou que o setor de energia vive problemas causados pela privatização, mesma lógica que está sendo aplicada à saúde em Porto Alegre. Ele defendeu a melhoria da saúde pública, mas não a entrega ao setor privado. “A única maneira de resolver é retomar os postos e fazer com que a saúde deixe de ser foco de roubalheira”, apontou, recordando os casos de corrupção relacionados às terceirizações no setor. Além dele, representaram o sindicato os diretores Paulo Guadagnin e Cristina Viana.
Alberto Terres, integrante do Conselho Municipal de Saúde, criticou a atual gestão municipal, bem como o represenante da SMS, por não comparecer mais às reuniões do conselho, evidenciando a falta de diálogo com as entidades e com a sociedade. Para ele, por conta da opção política da prefeitura de terceirizar e privatizar, a atenção primária vive sua pior crise na cidade. “Esta gestão é amiga da doença e dos empresários e inimiga do SUS”, avaliou Terres.
O ato, que contou com cartazes reiterando a defesa do SUS e das reestatizações em outros setores, teve como objetivo buscar uma abertura de diálogo com a SMS para reivindicar que o secretário da pasta volte a participar das reuniões do conselho. Representantes ingressaram no prédio para tentar uma conversa, mas foram impedidos de subir.
Ao longo da atividade, também falaram ao microfone representantes de diversas outras entidades, como a CUT/RS, o Simpa, o Sindisaúde, o Sindipetro, o Sindipolo e o Sindsepe/RS. Os sindicalistas denunciaram a lógica das privatizações e terceirizações, que faz com que a saúde vire objeto de lucro e gere precarização tanto do trabalho quanto do atendimento à população. Em Porto Alegre, a terceirização chegou a 96% dos postos de saúde, o que resulta em redução de salário, piora das condições de trabalho dos funcionários e em piora nos serviços oferecidos e no respeito a direitos.
“O governo Melo não cuida da população, só se ocupa em gastar dinheiro em privatizações. No caso da saúde, rompe com a ideia do SUS de qualidade, universal e gratuito. Isso atinge todas e todos, por isso nossa luta é pela única saída possível: a reestatização dos serviços e concurso público para provimento das vagas de trabalho”, afirmou a diretora Cristina Viana.