Ato em Porto Alegre cobra juros baixos e o fim da autonomia do Banco Central
Mobilização realizada pela CUT-RS questionou os impactos da política monetária sobre o desenvolvimento nacional, o emprego, o crédito e a renda da população
Publicado: 04 Novembro, 2026 - 13h32
Escrito por: STIMEPA | Editado por: CUT-RS
O preço das compras no cartão de crédito, as parcelas de um financiamento, os juros de um empréstimo e até as condições para uma pequena empresa investir e contratar trabalhadores têm relação direta com as decisões sobre a política monetária brasileira. É por isso que a taxa de juros e o papel do Banco Central precisam ser debatidos por toda a sociedade, e não apenas pelo mercado financeiro.
Com essa pauta, a CUT-RS realizou, na última terça-feira (3), o ato “Juros Baixos Já! Fim da Autonomia do Banco Central!”, na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre. A mobilização defendeu a redução dos juros, a soberania nacional e uma política econômica comprometida com a geração de empregos, a distribuição de renda e o desenvolvimento do país.
Em 2023, os trabalhadores ocuparam as ruas do Brasil pedindo que Campos Neto, então presidente do Banco Central, fosse deposto devido a alta das taxas de juros. Agora, novamente convocado pelas centrais sindicais brasileiras, o ato busca transformar o debate sobre a política monetária em uma reivindicação popular.
Uma das principais críticas levantadas pela mobilização é a autonomia do Banco Central, estabelecida pela Lei Complementar nº 179, de fevereiro de 2021. Antes da mudança, o presidente da República tinha maior liberdade para substituir o presidente do Banco Central. Com a nova legislação, o comando da instituição passou a ter mandatos fixos de quatro anos, que não coincidem necessariamente com o mandato presidencial.
O presidente do Banco Central continua sendo indicado pelo presidente da República e precisa ter seu nome aprovado pelo Senado Federal. Entretanto, com a autonomia, o governo eleito não pode simplesmente substituir a direção da instituição por decisão política durante seu mandato.
Para os críticos desse modelo, a mudança reduz a capacidade de intervenção do governo eleito sobre uma das áreas mais importantes da política econômica nacional. A discussão envolve justamente o peso das decisões de uma instituição com enorme influência sobre o crédito, os investimentos, o consumo e o desenvolvimento do país.
Quem paga essa conta?
O Brasil voltou a ocupar a primeira posição no ranking mundial de juros reais em setembro de 2026. Os juros elevados têm consequências que ultrapassam o mercado financeiro. Eles encarecem empréstimos e financiamentos, dificultam o acesso ao crédito, aumentam o custo de investimento das empresas e podem frear a atividade econômica.
Na vida cotidiana, isso significa famílias pagando mais caro para parcelar uma compra, trabalhadores encontrando dificuldades para renegociar dívidas e pequenos empreendedores enfrentando obstáculos para ampliar seus negócios e gerar empregos.