Encontro reuniu dirigentes sindicais e lideranças religiosas para debater organização, combate ao preconceito e diálogo com as comunidades evangélicas.
A CUT-RS realizou a primeira reunião do Coletivo de Sindicalistas Evangélicos, reunindo dirigentes de diversas categorias para debater a participação das trabalhadoras e trabalhadores evangélicos no movimento sindical.
O encontro marcou o início da construção de um espaço permanente de diálogo, formação e organização, com o objetivo de ampliar a presença de sindicalistas.
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destacou a importância de ampliar a participação dos evangélicos na Central e anunciou a continuidade do trabalho de identificação e mobilização de dirigentes em todas as regiões do estado.
“Vamos seguir organizando esse coletivo, ampliando a participação e construindo um grande encontro estadual. Queremos fortalecer esse espaço e levar esse debate também para a CUT Nacional”, afirmou.
Durante a reunião, os participantes ressaltaram a relação entre os valores cristãos e a luta por direitos. Para o dirigente do Sindisaúde-RS, Emerson Tombini, o acolhimento é um princípio que deve orientar tanto a atuação religiosa quanto a sindical.
“O evangelho ensina a acolher quem sofre, quem está angustiado e precisa de apoio. O sindicalismo também tem esse papel de acolher e defender os trabalhadores”, destacou.
O dirigente sindical Júlio Ferraz reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com as comunidades evangélicas, combatendo preconceitos e mostrando a relação entre as políticas públicas e a melhoria das condições de vida da população.
“Precisamos mostrar que a defesa da educação, da saúde, da inclusão social e dos direitos dos trabalhadores dialoga diretamente com os valores cristãos de solidariedade e justiça social”, afirmou.
O ex-presidente da CUT-RS, José Fortunati destacou que ainda existe muito preconceito em relação aos evangélicos nos espaços políticos e sindicais. Segundo ele, o mundo evangélico é diverso e não pode ser identificado apenas pelas posições de algumas lideranças religiosas que ganham visibilidade nacional.
“Os evangélicos não pensam todos da mesma forma. Há uma grande pluralidade de visões e muitos defendem os mesmos valores que orientam a luta da CUT, como a democracia, a inclusão e os direitos sociais”, ressaltou.
Já o pastor e dirigente sindical da Federação dos trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do RS (FTIA-RS), Celso Oliveira destacou a importância da iniciativa da CUT-RS para criar um ambiente de respeito e diálogo, permitindo que mais trabalhadores e dirigentes evangélicos participem da vida sindical sem receio de preconceitos.
Ao final da reunião, foi encaminhada a continuidade dos trabalhos por meio de um grupo permanente de articulação, responsável por organizar novas atividades, produzir materiais de formação e preparar um encontro estadual dos sindicalistas evangélicos da CUT-RS nos próximos meses.