Conferência Internacional Antifascista finaliza com a Carta de Porto Alegre
Documento defende unidade internacional contra o fascismo e o imperialismo
Publicado: 30 Março, 2026 - 11h06 | Última modificação: 30 Março, 2026 - 12h10
Escrito por: CUT-RS
Porto Alegre voltou a se afirmar como um dos principais centros de articulação política internacional ao sediar, no dia 29 de março de 2026, a Conferência Antifascista e pela Soberania dos Povos. O encontro reuniu milhares de ativistas de mais de 40 países dos cinco continentes, consolidando um espaço de unidade na diversidade para fortalecer a resistência global contra o avanço da extrema direita, do fascismo e das políticas imperialistas.
A chamada “Carta de Porto Alegre”, documento final da conferência, expressa a preocupação com o atual cenário internacional, marcado por crises econômicas, sociais e ambientais. Segundo o texto, o sistema capitalista vive uma fase de decadência, cuja resposta tem sido o fortalecimento de projetos autoritários, a imposição de políticas neoliberais e o aumento das agressões militares contra países e povos que resistem.
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O documento assinado pela Conferência Internacional Antifascista destaca que, em diferentes partes do mundo, crescem mobilizações populares em defesa da democracia e dos direitos sociais. Entre os exemplos citados estão as grandes manifestações na Argentina, atos antifascistas no Reino Unido e mobilizações massivas nos Estados Unidos contra lideranças de extrema direita. Para os participantes, essas ações revelam que há uma resistência internacional em curso.
A Carta aponta que, embora o avanço da extrema direita assuma características específicas em cada país, há elementos comuns: retirada de direitos trabalhistas, ataques às liberdades democráticas, privatizações, desmonte dos serviços públicos, criminalização de movimentos sociais e sindicais, além do crescimento do racismo, da xenofobia, do machismo e da LGBTQIA+fobia.
Outro ponto central do documento é a denúncia do papel do imperialismo, caracterizado como cada vez mais agressivo e belicista, desrespeitando normas internacionais e a soberania dos povos. A situação da Palestina é destacada como um dos exemplos mais graves, classificada como um genocídio em curso, com forte crítica ao apoio dos Estados Unidos e de outras potências a Israel.
Diante desse cenário, a Carta de Porto Alegre reforça a necessidade de construção de uma ampla unidade internacional entre movimentos sociais, sindicatos, organizações populares e forças políticas comprometidas com a defesa da classe trabalhadora, dos direitos humanos e da soberania dos povos.
O documento também aponta caminhos para além da resistência, defendendo a ampliação da democracia com participação popular, a valorização do mundo do trabalho, o enfrentamento à crise climática e a realização da reforma agrária como estratégia para garantir soberania alimentar.
Articulação internacional e próximos passos
Entre as deliberações aprovadas, está a criação de mecanismos permanentes de articulação internacional, como uma mesa global de coordenação entre organizações antifascistas e anti-imperialistas. A proposta inclui ainda a realização de conferências regionais e nacionais, com o objetivo de construir uma segunda edição da Conferência Internacional.
A Carta também manifesta solidariedade a diversos povos e países, como Cuba, Palestina, Haiti, Venezuela, Irã e Saara Ocidental, além de apoiar iniciativas internacionais de mobilização, como conferências regionais, encontros contra a OTAN e o próximo Fórum Social Mundial, previsto para ocorrer no Benin, em agosto de 2026.
Outro destaque é o apoio a ações de solidariedade internacional, como flotilhas humanitárias e campanhas de boicote, além do incentivo à organização de jornadas globais contra o negacionismo climático e as políticas ambientais regressivas.
Chamado à luta global
Ao final, a Carta de Porto Alegre reafirma que o combate ao fascismo e ao imperialismo é uma tarefa urgente e histórica. O documento convoca organizações e movimentos de todo o mundo a fortalecerem a solidariedade internacional e a construírem um projeto de futuro baseado na justiça social, na democracia, na igualdade, no feminismo, no antirracismo e na sustentabilidade.
“Diante da barbárie, levantamos a bandeira da solidariedade internacional e da luta dos povos”, afirma o texto.
A conferência encerra com o compromisso de continuidade da articulação global, reforçando Porto Alegre como um território simbólico da resistência e da construção de alternativas para um mundo mais justo.