Parecer prevê escala e 5×2 imediata e um ano para jornada de 40 horas
Foi apresentado nessa segunda-feira, 25, o parecer do relator Leo Prates (REP-BA) à proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho. O texto prevê a extinção imediata da escala de seis dias de trabalho por um de descanso; em relação à jornada, propõe 14 meses de transição, com redução de duas horas também de forma imediata. A votação não foi possível por conta de um pedido de vista do deputado Maurício Marcon (PL-RS). Marcon teve o mandato cassado pelo TRE-RS por fraude à cota de gênero e se mantém no mandato por conta de um recurso no TSE.
A versão final do texto foi discutida também nesta segunda-feira, em reunião do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP-PB) com o presidente Lula (PT) e outros representantes do governo. A discussão se deu em torno da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221/2019, um dos textos que tramita relativo ao tema. Após a reunião, Motta já havia anunciado, em linhas gerais, o que o parecer iria prever. A expectativa é de que o relatório seja votado nesta quarta-feira na comissão especial e, na quinta, no Plenário da Câmara. Se for aprovado, ainda precisa tramitar no Senado. No dia 28 haverá manifestações e vigílias nas cidades.
O texto define o fim da escala 6×1 no Brasil 60 dias após a promulgação da PEC. Nesse mesmo prazo, a jornada de trabalho semanal máxima será reduzida de 44 para 42 horas. Após mais 12 meses, ou seja, 14 meses depois da promulgação, a jornada máxima passará a 40 horas. Neste primeiro momento, para permitir a implementação da escala 5×2 com a jornada semanal de 42 horas, a jornada de cada um dos cinco dias trabalhados na semana deverá ser aumentada em 24 minutos.
Em outro ponto, o parecer propõe uma regra específica para quem ganha a partir de dois tetos e meio do INSS e tem diploma de nível superior. Esse valor, hoje, seria de R$ 21.188,875. Para trabalhadores contratados como “pessoa jurídica” e que recebem mais do que esse valor, não haveria limite de jornada nem de escala. Passaria a ser permitido fazer acordos individuais nesses dois temas. O objetivo alegado é a formalização desses trabalhadores. Esta medida não se aplica a servidores públicos.
TRE-RS cassou mandato de Marcon, que depende agora de recurso no TSENas últimas semanas, a oposição tentou articular mais de uma forma de enterrar ou descaracterizar as propostas de fim da 6×1 e redução da jornada. Um grupo de mais de 170 deputados chegou a apresentar emendas que adiam as medidas para daqui a dez anos e criam diversos empecilhos à sua aplicação, incluindo a criação de uma categoria de “atividades essenciais”, a ser definida em lei complementar, que não seria submetida aos mesmos limites.
Agora, outra ameaça surge via Senado. O portal Uol noticiou nesta segunda-feira que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) sinalizou à oposição a possibilidade de votar a “PEC da Hora Trabalhada”. Proposta pelo deputado federal do PL do Rio Grande do Sul Mauricio Macron, o mesmo que pediu vista nessa segunda na comissão especial, e defendida publicamente pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a proposta determina o pagamento por hora trabalhada e “negociação” individual entre trabalhadores e empresários. Na prática, a medida acabaria com o limite de jornada.
O fim da escala 6×1 é uma medida com ampla aprovação popular, como apontam diversos levantamentos. Em março, por exemplo, o Datafolha mostrou que 71% dos brasileiros são favoráveis à mudança. Essa aprovação tem se refletido nas ruas, com importantes mobilizações sobre o tema no último período. Neste ano, a Marcha a Brasília, em abril, e o Dia do Trabalhador, em maio, tiveram essa pauta como um de seus centros. Nesta semana, novamente, trabalhadores e trabalhadoras estão indo às ruas em diversas cidades manifestar-se pela aprovação da medida e por sua aplicação imediata.
Mesmo assim, há setores que não desistem de tentar impedir esse avanço, seja no Congresso, seja entre o empresariado. Por isso, especialmente considerando a nova ameaça no Senado, apenas a luta dos trabalhadores e trabalhadoras poderá levar à extinção da 6×1 e à redução da jornada sem redução de salários.
Fotos: Redes Sociais, Elineudo Meira/@fotografia.75 e Lula Marques/Agência Brasil