Ato em Porto Alegre também denuncia precarização, jornadas de até 12 horas e falta de vínculo formal com as plataformas
Entregadores de aplicativos realizaram, na manhã desta segunda-feira (27), um ato na Esquina Democrática, em Porto Alegre, contra a nova modalidade do iFood, chamada “+ Entregas”. Segundo os trabalhadores, o programa reduz os ganhos para até R$ 3 por entrega e aprofunda a precarização de uma atividade marcada por longas jornadas, baixos rendimentos e ausência de vínculo formal.
Após a manifestação, os entregadores saíram em caminhada pelas ruas do Centro Histórico até o Shopping Praia de Belas. A mobilização reuniu trabalhadores do iFood e da 99, além de representantes do movimento sindical.
Mais entregas, menos ganhos
Membro da Associação dos Ciclistas e Entregadores do Rio Grande do Sul (ACERGS), Márcio Bagão afirma que a nova modalidade obriga os trabalhadores a realizar mais entregas por valores cada vez menores.
“É mais entregas e menos ganhos. Uma entrega a R$ 3. A gente fica 12 horas na rua, sete dias na semana, para ganhar três pila por entrega. Não está fazendo mais sentido para nós. A gente precisa pagar as contas e tem família para sustentar”, denuncia.
Eduardo Aquino, que trabalha há dois meses como entregador do iFood utilizando um patinete elétrico, relata que precisa trabalhar diariamente para garantir uma renda mínima. “Mesmo fazendo de segunda a segunda, todos os dias, ainda não me sobra dinheiro para sustentar tudo que eu preciso”, afirma.
O secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, Alfredo Gonçalves, destacou que as plataformas lucram milhões enquanto deixam aos trabalhadores os custos e os riscos da atividade.
“Os entregadores ganham muito pouco, enquanto essas grandes empresas faturam milhões de dólares e não se preocupam com a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos entregadores. Eles são trabalhadores dessas empresas, mas permanecem sem vínculo formal e sem direitos”, afirmou.
Para os trabalhadores, a mobilização é uma resposta à redução dos valores pagos pelas plataformas e à crescente precarização do trabalho por aplicativos. A categoria reivindica remuneração justa e melhores condições de trabalho.