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Feminicídios chegam a 10 em janeiro no RS

Mulher é morta a facadas em Santa Cruz do Sul. Caso representa o 10º feminicídio ocorrido no RS somente no primeiro mês de 2026

Publicado: 28 Janeiro, 2026 - 13h05 | Última modificação: 28 Janeiro, 2026 - 13h12

Escrito por: Pedro Stahnke - Sul21 | Editado por: CUT-RS

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Na noite de segunda-feira (26), uma mulher de 44 anos foi morta dentro de casa em Santa Cruz do Sul. Identificada como Paula Gomes Gonhi, a vítima foi esfaqueada pelo ex-companheiro, Jucemar Padilha, de 31 anos, de acordo com informação da Polícia Civil.
 
A denúncia de uma briga entre Paula e Jucemar ocorreu por volta das 23h, em telefonema feito pelo filho da vítima, de 17 anos, à Brigada Militar (BM). Quando os agentes chegaram, Paula já se encontrava sem vida e com marcas de corte no pescoço.
Após atendimento médico, Jucemar foi encaminhado ao presídio regional de Santa Cruz do Sul.

Ao Sul 21, a Delegacia da Mulher de Santa Cruz do Sul (DEAM) disse que a “DEAM prossegue com as diligências necessárias para reunir todas as provas e garantir o completo esclarecimento dos fatos”.

 

10º feminicídio

Este caso marca o 10º feminicídio no Rio Grande do Sul apenas em janeiro de 2026. Isso significa que, a cada 2,6 dias, uma mulher foi assassinada no estado durante o mês. Além disso, estima-se que a cada feminicídio consumado, outros três foram tentados.

O primeiro mês de 2026 já ultrapassa janeiro de 2025, quando nove mulheres foram vítimas de feminicídio, e fica atrás somente de abril do ano passado no apanhado dos últimos doze meses, quando foram registradas onze ocorrências.

De 2024 para 2025, o número de feminicídios subiu de 73 para 80 no Rio Grande do Sul, o que corresponde a um aumento de cerca de 10%. Diante dos índices elevados de violência de gênero no Estado, pressionado pelo movimento feminista e pela bancada feminina na Assembleia Legislativa, o Governo do Estado recriou a Secretaria da Mulher em setembro passado.

A DEAM afirma que as estratégias para combater o feminicídio partem da apuração de casos de violência doméstica, como ameaças e agressões físicas ou verbais. “Nossa atuação busca proteger mulheres em risco, assim como orientar a comunidade em geral das medidas cabíveis aos casos de violência doméstica”.

 

Os casos de 2026

05/01: A primeira vítima de feminicídio deste ano no RS foi Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, bombeira civil de 31 anos, em Guaíba. Foi morta a facadas pelo ex-companheiro, que tentou forjar um suicídio da vítima para despistar a Polícia Civil. Ela deixou um filho de 10 anos.

14/01: Em Canguçu, Letícia Foster Rodrigues, de 37 anos, foi encontrada morta em área de mata. O ex-companheiro, principal suspeito, foi preso a mais de 200km da cidade. Ele estava sob medida protetiva e já havia sido preso por descumprimento.

18/01: Marinês Teresinha Schneider, de 54 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro dentro de casa, em Santa Rosa. Ela também tinha medida protetiva contra o suspeito.

No mesmo dia, Josiane Natel Alves, 32 anos, foi assassinada com nove facadas em frente à filha de 14 anos em Porto Alegre. O suspeito foi, novamente, um ex-companheiro da vítima, que foi preso em flagrante.

19/01: Também em Porto Alegre, Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos, foi esfaqueada e morta pelo ex-companheiro em uma parada de ônibus. Ela disputava a guarda de uma filha com o homem na justiça. A vítima deixou três filhos.

20/01:  Mirella Santos, de 15 anos, foi assassinada com facadas no pescoço, rosto e costas pelo namorado, dez anos mais velho, em Sapucaia do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre. A jovem foi acompanhada pela Patrulha Maria da Penha, mas solicitou encerramento da proteção no início do ano.

Uliana Teresinha Fagundes, monitora de escola de 59 anos, foi baleada pelo ex-marido em Muitos Capões, município da Serra, após assinar o divórcio em Vacaria naquele dia. Ela deixou duas filhas de relacionamento anterior.

24/01: Karizele Oliveira Senna, 30 anos, foi morta em frente às duas filhas, de 12 anos e de 8 meses de idade. Ela foi esfaqueada pelo companheiro em Novo Hamburgo, que já tinha uma ocorrência de violência doméstica registrada pela vítima e medida protetiva, a qual não estava mais em vigor.

25/01: Já em Tramandaí, Litoral Norte, Leila Raquel Camargo Feltrin, de 24 anos, foi morta a facadas, também pelo companheiro. A vítima já havia acionado a Brigada Militar em outra ocasião, mas desistira de formalizar denúncia. O suspeito já tinha antecedentes relacionados a agressão de uma ex-companheira.