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Funcionários de fábrica de calçados paralisaram exigindo aumento salarial

Trabalhadores e trabalhadoras rejeitam reajuste de 4,3% e paralisam atividades, no Vale do Sinos, em defesa de aumento salarial e valorização do trabalho

Publicado: 29 Agosto, 2026 - 02h05 | Última modificação: 04 Setembro, 2026 - 13h59

Escrito por: Larissa Britto | Editado por: Matheus Piccini

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Após rejeitarem, na última quinta-feira (27), a proposta patronal de reajuste de 4,3% apresentada pelo Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região (SINDSAP), os trabalhadores da indústria calçadista de Sapiranga e Nova Hartz, no Vale dos Sinos, reivindicam um reajuste salarial. O percentual proposto é superior aos 4,1% correspondentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O presidente do SINDSAP, Leandro dos Santos, explica que a pauta para os acordos ocorre desde a segunda quinzena de julho. “A patronal nos chamou apenas no dia 19 de agosto para a primeira rodada de negociações. Eles apresentaram uma proposta só da inflação e com uma pauta extensa de sugestões para retirar e modificar cláusulas do que já temos na convenção coletiva, como banco de horas e feriado ao sábado”, diz. 

Ele argumenta que o sindicato se opôs à primeira proposta. “Nós dissemos que não levaríamos, nem chamaríamos a assembleia geral para a apreciação da proposta enviada a nós”. 

Em nova rodada de negociações, o sindicato patronal ofereceu 4,3%, rejeitados pelos trabalhadores em assembleia. “Eles apresentaram uma proposta que levamos por obrigação à apreciação em assembleia, mas não a defendemos. Nós expomos uma contrapartida que não foi aceita, e rejeitamos ontem (27) a nova contraproposta sugerida”, pondera Santos.   

O SINDSAP aguarda agora uma reformulação que esteja de acordo com as expectativas dos trabalhadores. “Hoje (28) os trabalhadores ouviram o apelo do sindicato, e duas empresas, uma de Sapiranga e outra de Nova Hartz, paralisaram e entraram em contato conosco. Nós os orientamos para que permanecessem o tempo suficiente para fazer o seu protesto e mostrar sua indignação com as propostas apresentadas”, afirma.

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destaca que a mobilização demonstra o avanço da consciência da classe trabalhadora diante da concentração de riqueza. Para ele, enquanto alguns empresários acumulam ganhos, os trabalhadores seguem reivindicando uma parcela maior do que produzem. “Toda luta justa é a classe trabalhadora desenvolvendo consciência para dizer 'nós queremos dividir uma parte dessa riqueza que nós produzimos'”, afirma.

Amarildo também manifestou solidariedade à paralisação e ressaltou que o movimento expressa a disposição dos trabalhadores de lutar por melhores condições de vida e por uma remuneração mais justa.