Trabalhadores e trabalhadoras rejeitam reajuste de 4,3% e paralisam atividades, no Vale do Sinos, em defesa de aumento salarial e valorização do trabalho
Após rejeitarem, na última quinta-feira (27), a proposta patronal de reajuste de 4,3% apresentada pelo Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região (SINDSAP), os trabalhadores da indústria calçadista de Sapiranga e Nova Hartz, no Vale dos Sinos, reivindicam um reajuste salarial. O percentual proposto é superior aos 4,1% correspondentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
O presidente do SINDSAP, Leandro dos Santos, explica que a pauta para os acordos ocorre desde a segunda quinzena de julho. “A patronal nos chamou apenas no dia 19 de agosto para a primeira rodada de negociações. Eles apresentaram uma proposta só da inflação e com uma pauta extensa de sugestões para retirar e modificar cláusulas do que já temos na convenção coletiva, como banco de horas e feriado ao sábado”, diz.
Ele argumenta que o sindicato se opôs à primeira proposta. “Nós dissemos que não levaríamos, nem chamaríamos a assembleia geral para a apreciação da proposta enviada a nós” complementa o dirigente.
Em nova rodada de negociações o sindicato patronal ofereceu 4,3%, rejeitados pelos trabalhadores em assembléia. “Eles apresentaram uma proposta que levamos por obrigação à apreciação em assembleia, mas não a defendemos. Nós expomos uma contrapartida que não foi aceita, e rejeitamos ontem (27) a nova contraproposta sugerida”, pondera Santos.
O SINDSAP aguarda agora uma reformulação que esteja de acordo com as expectativas dos trabalhadores. “Hoje (28) os trabalhadores ouviram o apelo do sindicato, e duas empresas, uma de Sapiranga e outra de Nova Hartz, paralisaram e entraram em contato conosco. Nós os orientamos para que permanecessem o tempo suficiente para fazer o seu protesto e mostrar sua indignação com as propostas apresentadas”, afirma Leandro.
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destacou que a mobilização demonstra o avanço da consciência da classe trabalhadora diante da concentração de riqueza. Para ele, enquanto alguns empresários acumulam ganhos e ostentam riquezas, os trabalhadores seguem reivindicando uma parcela maior do que produzem. “Toda luta justa é a classe trabalhadora desenvolvendo consciência para dizer: nós queremos dividir uma parte dessa riqueza que nós produzimos”, afirmou.
Amarildo também manifestou solidariedade à paralisação e ressaltou que o movimento expressa a disposição dos trabalhadores de lutar por melhores condições de vida e por uma remuneração mais justa.