Greve dos empregados da Caixa: entenda pelo que a categoria luta
Trabalhadores rejeitaram proposta, aprovaram greve por tempo indeterminado e pressionaram banco a retomar negociações
Publicado: 16 Setembro, 2026 - 14h15 | Última modificação: 16 Setembro, 2026 - 14h25
Escrito por: SindBancários | Editado por: CUT-RS
Os empregados da Caixa estão em greve por tempo indeterminado desde 10 de setembro e seguem paralisados até que uma nova proposta seja apresentada e aprovada em assembleias. A mobilização é uma resposta à proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e à falta de avanços em reivindicações fundamentais da categoria, principalmente sobre o Saúde Caixa.
Depois de afirmar que havia apresentado sua proposta final e ameaçar retirar o texto e ingressar com dissídio coletivo, a Caixa recuou e concordou em retomar as negociações. No últmo domingo (13), o banco respondeu a ofício encaminhado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), atendendo à solicitação de retorno das mesas. Também garantiu a manutenção da ultratividade dos instrumentos coletivos e a continuidade dos direitos enquanto as negociações estiverem em andamento.
Uma nova mesa foi marcada para esta quarta-feira (16). A retomada das negociações é resultado da pressão construída pela categoria. Agora, o movimento sindical cobra que a Caixa aproveite a oportunidade para apresentar avanços concretos e uma proposta capaz de ser aprovada pelos trabalhadores.
Empregados exigem proposta decente para o Saúde Caixa
O Saúde Caixa está entre os principais impasses e motivos da greve. A categoria defende medidas para garantir a sustentabilidade do plano, a qualidade da assistência prestada e que os empregados não sejam cada vez mais penalizados com o aumento dos custos do plano.
Para isso, os trabalhadores reivindicam o fim do teto de 6,5% da folha, que limita a participação da Caixa no custeio do plano, a retomada da forma de custeio 70/30 (70% das despesas para o banco e 30% para os empregados) e a garantia do direito de seguir com o plano na aposentadoria para quem ingressou após 2018, como já ocorre com os demais.
Também cobram a manutenção dos princípios do plano, de solidariedade, mutualismo e especialmente do pacto intergeracional, além de melhorias na gestão do Saúde Caixa, bem como na rede credenciada e no atendimento prestado aos beneficiários.
Na contramão dessas reivindicações, a Caixa apresentou propostas que não contemplam as demandas dos trabalhadores e ainda se mostram mais onerosas, como com critério de cobrança por idade. O movimento sindical defende que a conta não pode continuar sendo transferida para quem trabalha no banco. A Caixa tem responsabilidade com seus empregados e precisa garantir um plano de saúde sustentável, acessível e de qualidade.
Categoria cobra valorização e melhores condições de trabalho
Além do Saúde Caixa, os trabalhadores também reivindicam correção de problemas dos programas de remuneração variável, como Super Caixa, além de plano de carreira e funções, remuneração adequada e mais contratações.
A falta de trabalhadores está diretamente relacionada à sobrecarga enfrentada nas unidades. Pressão por metas, cobrança excessiva, assédio e adoecimento fazem parte da realidade de muitos empregados, que continuam garantindo o funcionamento da Caixa mesmo diante de condições cada vez mais difíceis. Por isso, o movimento sindical cobra medidas concretas para melhorar as condições de trabalho e impedir que a busca por resultados seja feita às custas da saúde dos empregados.
Para o SindBancários, é inconcebível que uma instituição com papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país não reconheça adequadamente os trabalhadores responsáveis por construir seus resultados. Os empregados estão nas agências, nos setores administrativos e em todas as áreas do banco garantindo atendimento à população, operacionalizando políticas públicas e fazendo a Caixa funcionar. Ao mesmo tempo, enfrentam sobrecarga, pressão e condições de trabalho que precisam ser transformadas.
O sindicato reafirma seu apoio à greve e à luta dos empregados da Caixa, pois quem a opera merece respeito, valorização e condições dignas de trabalho. A Caixa precisa avançar nas negociações, atender às reivindicações da categoria e apresentar uma proposta decente, principalmente com relação ao Saúde Caixa.
A mobilização é o caminho para conquistar avanços, por isso, é hora de fortalecer a unidade, manter a pressão e transformar a indignação em luta. Toda a estrutura do SindBancários está mobilizada para garantir o sucesso da greve, e, todos os dias, o piquete central acontece na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre, em frente ao Ed. Querência, sede da empresa no RS.