Escrito por: CUT-RS

Greve e paralisação marcam luta por valorização na educação em Canoas e São Leopoldo

Professores e trabalhadores de Canoas e São Leopoldo intensificam a luta por valorização, reposição salarial e melhores condições nas escolas.

A mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação tem ganhado força no Rio Grande do Sul. Em Canoas, a greve liderada pelo Sinprocan segue mobilizando servidores municipais diante da falta de valorização e das condições precárias nas escolas. Já em São Leopoldo, mais de 800 professoras e professores participaram de uma paralisação nesta terça-feira (13), em frente à prefeitura, reforçando a pressão por melhores salários e investimentos na educação pública.

Em Canoas, segundo a presidenta do Sinprocan, Simone Goulart, a greve foi motivada por dois fatores principais: a falta de profissionais nas escolas no início do ano letivo e a ausência de proposta concreta de reposição salarial. “Mesmo com a convocação de concursados, o processo foi lento e os trabalhadores não chegavam às escolas, comprometendo o funcionamento”, explicou.

Outro ponto crítico é a política salarial. A categoria acumula 24 anos sem aumento real, recebendo apenas reposições inflacionárias e, em alguns casos, nem isso. A proposta mais recente da prefeitura prevê apenas 2% de aumento real, diluído ao longo do mandato, o que foi rejeitado pelos trabalhadores.

A mobilização também pressiona por melhores condições de trabalho e pelo fim de medidas que vinculam direitos, como gratificações, a índices como o IDEB. A greve segue enquanto não houver avanço nas negociações.

Paralisação em São Leopoldo reúne mais de 800 servidores

Em São Leopoldo, a mobilização também foi expressiva. A paralisação convocada pelo CEPROL Sindicato reuniu mais de 800 servidoras em frente à prefeitura e teve adesão total ou parcial na maioria das escolas do município.

De acordo com a presidenta do sindicato, Cris Mainardi, a categoria rejeitou a proposta do governo municipal, que ofereceu reajuste de 3,77% (INPC), parcelado em três vezes. “Esse índice não representa nem a reposição das perdas inflacionárias. Foi rejeitado em assembleia porque não atende à realidade da categoria”, afirmou.

A dirigente destaca que a pauta foi construída com base em estudos técnicos, incluindo dados do DIEESE e análise das contas públicas. Segundo ela, o município teria margem fiscal para conceder reajustes maiores. “O Fundeb teve aumento de 7,1%, o piso nacional é de 5,44% e a prefeitura está abaixo do limite prudencial de gastos. Há possibilidade de valorização real”, explicou.

Além da questão salarial, os trabalhadores denunciam a falta de investimentos nas escolas e o aumento da violência no ambiente escolar. “As professoras precisam de valorização e condições dignas de trabalho. Educação de qualidade passa por isso”, reforçou.

A categoria realizará nova assembleia para definir os próximos passos, incluindo a possibilidade de greve.

Unidade e pressão por direitos

As mobilizações em Canoas e São Leopoldo refletem um cenário mais amplo de insatisfação entre os trabalhadores do serviço público, especialmente na educação. A combinação de perdas salariais, precarização das condições de trabalho e falta de diálogo com as gestões municipais tem impulsionado a organização e a luta coletiva.

Para os sindicatos, a pressão nas ruas segue sendo o principal instrumento para garantir avanços. A expectativa é que as mobilizações forcem a abertura de negociações reais e resultem em conquistas concretas para a categoria