Mesmo com reajuste, piso regional do RS segue atrás do Paraná e pode perder para SP
Reajuste de 5,35% do piso salarial regional é muito inferior aos 15,98% defendidos pelas centrais sindicais
Publicado: 20 Maio, 2026 - 15h02 | Última modificação: 20 Maio, 2026 - 15h13
Escrito por: CUT-RS
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou nesta terça-feira (19) o projeto do governo do Estado que reajusta em 5,35% o piso salarial regional. Com a aprovação, a menor faixa do piso gaúcho passa para R$ 1.884,75, com data-base em maio de 2026. O projeto recebeu 41 votos favoráveis e apenas dois contrários.
Embora o governo estadual tenha destacado que o novo valor supera os pisos atuais de Santa Catarina e São Paulo, levantamento do DIEESE-RS mostra que o Rio Grande do Sul segue atrás do Paraná e pode voltar a ficar abaixo também de São Paulo após o reajuste paulista previsto para julho.
A comparação evidencia que, apesar do reajuste aprovado, o Rio Grande do Sul deve ocupar apenas a terceira posição entre os estados do Sul e Sudeste que possuem piso regional, superando somente Santa Catarina.
O governo do Estado argumenta que o reajuste mantém a política de valorização vinculada à inflação e ao crescimento da economia, utilizando como base a reposição do INPC acumulado nos últimos 12 meses somada ao percentual do PIB estadual consolidado de 2023. A metodologia segue lógica semelhante à aplicada ao salário mínimo nacional.
Valor insuficiente
Para a CUT-RS, no entanto, o percentual aprovado ainda está distante da necessidade real dos trabalhadores e trabalhadoras gaúchas diante do aumento do custo de vida, dos alimentos, da energia elétrica, do aluguel e do transporte. A central também critica a ausência de um debate mais profundo sobre valorização salarial e distribuição da riqueza produzida no Estado.
O piso regional é referência para categorias que não possuem convenções ou acordos coletivos próprios, além de impactar milhares de trabalhadores e trabalhadoras em situação de informalidade. Entre as categorias abrangidas estão trabalhadores da agricultura, construção civil, comércio, saúde, limpeza, telemarketing, hotelaria, indústria e vigilância, entre outras.
Com a aprovação, os novos valores das cinco faixas passam a ser:
- Faixa 1: R$ 1.884,75
- Faixa 2: R$ 1.928,15
- Faixa 3: R$ 1.971,89
- Faixa 4: R$ 2.049,76
- Faixa 5: R$ 2.388,50
Os novos valores terão efeito retroativo a 1º de maio e passam a valer após a sanção do governador.