MENU

Mulheres seguem mobilizadas após o 8 de Março com agenda de atividades em todo o RS

Mulheres seguem organizadas em todo o Rio Grande do Sul com uma agenda de debates, encontros, feiras e mobilizações ao longo de março em defesa da vida, dos direitos e do fim da violência contra as mulheres.

Publicado: 09 Março, 2026 - 14h47 | Última modificação: 09 Março, 2026 - 15h00

Escrito por: CUT-RS

Jorge Leão/BF-RS
notice

Milhares de mulheres ocuparam as ruas de Porto Alegre no último domingo (8) para marcar o Dia Internacional da Mulher, em uma das maiores mobilizações dos últimos anos na capital gaúcha. O ato reuniu trabalhadoras, estudantes, movimentos feministas, sindicatos e organizações sociais em defesa da vida das mulheres e contra a violência de gênero.

Com faixas e cartazes, as manifestantes denunciaram o feminicídio, a precarização do trabalho e as desigualdades no mercado de trabalho, além de defender pautas como dignidade menstrual, soberania, ampliação de políticas públicas para as mulheres e o fim da escala 6×1.

A mobilização ocorre em um cenário alarmante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

apontam que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025. Desde o início de 2026, o Rio Grande do Sul já contabiliza 20 casos, reforçando a urgência de políticas de proteção e prevenção.

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RS, Suzana Lauermann, a grande participação nas ruas demonstra a força da mobilização. “Nossa reação é do tamanho da agressão que estamos assistindo contra as mulheres. Essa presença massiva mostra o quanto a nossa luta é importante. Da rua a gente não se retira enquanto isso continuar”, afirmou.

Segundo ela, as mobilizações fazem parte da campanha da central “As mulheres na luta têm pressa porque nossa vida não tem hora extra”.

Mobilização continua ao longo de março

Mesmo após o 8 de Março, a agenda de atividades segue intensa em diversas regiões do estado, organizada por sindicatos e movimentos sociais ligados à CUT-RS. A programação inclui debates, rodas de conversa, feiras, encontros de formação e ações de mobilização voltadas à defesa dos direitos das mulheres.

Entre as próximas atividades previstas estão:

  • 10 de março – Passo Fundo: palestra sobre o Dia Internacional das Mulheres na Universidade de Passo Fundo (UPF), às 15h, organizada pelo Sintee.
  • Segunda semana de março: Encontro Estadual das Trabalhadoras Metalúrgicas.
  • 14 de março – Ijuí: roda de conversa promovida pelo Sinpro Noroeste, das 8h30 às 10h30.
  • 19 de março – Caxias do Sul: atividade do Sindserv com palestra, música e confraternização.
  • 19 de março - Porto Alegre: atividade do SEMPAI: Violêcnia contra a mulher, os porquês e ferramentas de enfrentamento, das 9h às 18h.
  • 21 de março – Porto Alegre: Feira de Vivi organizada pelo Sindicato dos Bancários dentro da programação do Março na Praça do Tambor, no Centro Histórico.
  • 21 de março – Santa Maria: atividade durante todo o dia no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) com trabalhadoras da instituição.
  • 26 de março: live do SindserfRS nas redes sociais com participação da secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RS.
  • 29 de março – Tramandaí: atividade em construção com movimentos e sindicatos da região.

Luta também é no mundo do trabalho

Além da violência de gênero, as mobilizações também denunciam desigualdades estruturais que atingem as mulheres no mercado de trabalho. Levantamento do DIEESE com base em dados do IBGE aponta que, embora o emprego tenha crescido no país, as mulheres seguem enfrentando maior desemprego, informalidade e salários menores.

Em 2025, o rendimento médio feminino foi de R$ 3.042, enquanto o dos homens chegou a R$ 3.864, cerca de 21% maior. A informalidade também segue elevada, atingindo 35,5% das trabalhadoras.

Para dirigentes sindicais e movimentos feministas, esses dados reforçam a necessidade de manter a mobilização ao longo de todo o ano.

Mobilização permanente

A grande marcha do 8 de Março reafirmou a força do movimento de mulheres no estado. Com atos culturais, intervenções artísticas e manifestações políticas, milhares de pessoas ocuparam as ruas para denunciar o feminicídio e exigir justiça para as vítimas.

Agora, a agenda de março mantém viva essa mobilização, levando debates e atividades para diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Como destacou Suzana, a luta segue nas ruas e nos locais de trabalho: “Vamos seguir lutando em defesa da vida das mulheres, sem pestanejar.”