Escrito por: CUT-RS

Santa Maria reúne milhares no Festival dos Trabalhadores e Trabalhadoras

A Praça do Mallet integrou o evento da CUT-RS e reforçou pautas como redução da jornada, sem redução de salário e fim da escala 6x1

Taís Carolina

A Praça do Mallet, em Santa Maria, ficou tomada neste domingo (3/5), por trabalhadoras e trabalhadores que participaram do Festival promovido pela CUT-RS e CTB-RS. Conforme a organização, entre 4 mil e 5 mil pessoas passaram pelo local ao longo da tarde, em uma atividade que combinou música, cultura popular e mobilização em defesa de direitos.

A programação fez parte do Festival dos Trabalhadores e Trabalhadoras, com atividades descentralizadas em cinco cidades do Rio Grande do Sul. Em Santa Maria, o festival reuniu artistas locais, atrações nacionais, feira solidária e momentos de fala política, reforçando o caráter histórico do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora como espaço de luta e celebração.

Rodrigo Ricordi

“É um prazer ver essa praça hoje, lotada de pessoas que atenderam ao nosso chamado para uma tarde de comemoração pelo 1º de Maio”, afirmou a coordenadora da CUT Regional Centro, Maria Lúcia. “A CUT programou para este ano o maior 1º de Maio de todos os tempos no Rio Grande do Sul. Já tivemos atividades em Passo Fundo, Caxias e Porto Alegre, e hoje estamos aqui e em Pelotas celebrando a luta dos trabalhadores e debatendo as pautas que precisamos avançar”.

Atrações locais

Ao longo da tarde, o público acompanhou apresentações musicais e artísticas que dialogaram com as lutas da classe trabalhadora. A cantora Paola Matos, artista local com 15 anos de carreira, destacou o papel da arte como instrumento de conscientização e resistência.

“Eu sempre busquei cantar a luta do povo. A arte é um retrato da nossa sociedade e a gente precisa consumir e produzir uma arte comprometida com causas importantes”, afirmou. Durante sua apresentação, Paola também fez uma manifestação contra a violência de gênero. “A onda de violência contra a mulher nos destrói por dentro. A gente só quer continuar viva e sendo livre. Precisamos lutar cada vez mais e não perder a esperança”, afirmou Paola.

O samba de Marcelo Amaro

A principal atração do festival, o músico Marcelo Amaro, também ressaltou a conexão entre cultura e luta social. Com trajetória ligada ao samba gaúcho e carreira consolidada no Rio de Janeiro, ele destacou a responsabilidade de levar a cultura popular como instrumento de resistência. “Enquanto se luta, também se faz samba. O samba é um ecossistema cultural que envolve muita gente trabalhando. É uma responsabilidade levar o samba do Rio Grande do Sul para todo o Brasil. Gratidão e a luta continua, companheiros”.

Taís Carolina

Além da celebração cultural, o festival foi marcado pela defesa de pautas centrais da classe trabalhadora. Entre elas, a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6x1, a valorização do trabalho e melhores condições de vida.

O secretário de Administração e Finanças da CUT-RS, Antônio Güntzel, destacou a importância da mobilização coletiva para garantir avanços. “É muito importante poder se reunir em uma praça, com música, teatro e dança, em um país que vive a democracia. Precisamos celebrar conquistas como a isenção do imposto de renda para trabalhadores, fruto da luta sindical. Mas também precisamos avançar na redução da jornada e no fim da escala 6x1, para que as pessoas tenham mais tempo para viver, para a família e para estudar. Isso só vamos conquistar se estivermos juntos”.

Rodrigo Ricordi

Representando a CTB-RS, Rogério Reis também destacou a importância da unidade entre as centrais sindicais e o fortalecimento da mobilização popular. “É nesse momento que a CTB, juntamente com a CUT, promove esse ato para discutir os direitos da classe trabalhadora. Tivemos avanços como a redução do imposto de renda, mas agora precisamos avançar na redução da jornada de trabalho, garantindo melhores condições de vida para o povo”, afirmou.

Rodrigo Ricordi

A servidora pública Leonara Marinho também ressaltou o caráter histórico das reivindicações e chamou atenção para as desigualdades que atravessam o mundo do trabalho, especialmente para as mulheres. “É uma luta histórica, especialmente nesse momento em que debatemos o fim da escala 6x1. A concentração de renda no país só aumenta, e vemos que muitas das pessoas submetidas a essas condições são mulheres, em especial mulheres negras. Isso mostra como essas pautas são urgentes”.

Rodrigo Ricordi

O Festival dos Trabalhadores em Santa Maria reafirmou o 1º de Maio como um momento de unidade, mobilização e construção coletiva. Em meio à cultura, à arte e à participação popular, a atividade reforçou que a luta por direitos segue viva e que é nas ruas, com o povo organizado, que se constroem as conquistas da classe trabalhadora.