Escrito por: Alessandro Valim/GZH

Sindiserv: crise em Caxias do Sul é resultado de decisões políticas equivocadas

Adiamento em pagamento de fornecedores e estudo sobre possibilidade de atraso e parcelamento de salários deixa sindicato em alerta

Gabriel Lain

Repercutiu muito mal entre os servidores municipais de Caxias do Sul a revelação feita pela coluna de que a prefeitura tem um estudo que analisa, de forma preventiva, os impactos do atraso e parcelamento dos salários. Além disso, devido à falta de recursos, a administração está atrasando em 15 dias o pagamento de fornecedores, situação que, segundo o próprio secretário de Gestão e Finanças, deve se agravar a partir de agosto.

Ainda nesta terça-feira (7), logo após a publicação da reportagem, a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindiserv), Silvana Piroli, já se manifestou sobre a situação. Segundo ela, a entidade tem acompanhado os números e dados das finanças da cidade e, por isso, pode afirmar que o pagamento dos salários não é a causa dos problemas vividos pelo Executivo, pois o comprometimento de valores com o pagamento de pessoal chega a 45% do orçamento, tranquilamente abaixo dos limites estabelecidos por lei.

Para ela, o problema de falta de dinheiro está intimamente ligado a erros dos gestores, com decisões políticas equivocadas que agora estão cobrando seu preço. Silvana afirma que o sindicato, inclusive, há anos tem feito alertas sobre a situação financeira da prefeitura.

— Há alguns anos já alertamos de que era necessário redimensionar, ter um planejamento de médio e longo prazo, rever contratos e analisar, de fato, quais são as prioridades da cidade. Por exemplo, um contrato de PPP, tanto da iluminação como da educação, impacta profundamente nas finanças municipais — esclarece.

Como alternativa para os problemas financeiros imediatos da prefeitura, a presidente entende que é possível tomar medidas que não prejudiquem os servidores e a prestação de serviços à comunidade. Entre as alternativas, cita redução de CCs, revisão de contratos, reparcelamento de débitos e organização de um cronograma de pagamento das despesas. Nesse contexto, aceitar atraso de salário está fora de cogitação:

— Nós deixamos claro para o governo municipal, tanto na conversa com o secretário de Gestão e Finanças e com o próprio prefeito, que consideramos inaceitável o não pagamento dos salários em dia. Essa é uma questão inegociável, porque o trabalho que prestamos para a comunidade é fundamental. Continuaremos alertas e esperamos que o município pague os servidores em dia e cumpra os acordos que firmou com o Sindiserv.

O estudo preventivo que analisa o impacto do atraso e parcelamento do salário prevê que os servidores caxienses receberiam até R$ 8 mil no quinto dia útil do mês seguinte ao período trabalhado. Até o décimo dia útil seria paga uma segunda parcela de complemento, com teto de até R$ 16 mil. Por fim, valores acima desse teto seriam quitados até o último dia útil do mês.