Uma década depois da chegada dos apps em POA a luta segue firme com o SimtrapliRS
A CUT-RS seguirá lado a lado com o SimtrapliRS pela regulamentação, pelos direitos e por um futuro sem precarização.
Publicado: 19 Novembro, 2025 - 10h55 | Última modificação: 19 Novembro, 2025 - 11h08
Escrito por: CUT-RS
Nesta terça-feira, 19 de novembro, completam 10 anos da chegada da Uber e dos aplicativos de transporte a Porto Alegre. Uma década que começou com promessas de autonomia, renda extra e “você é seu próprio chefe”, mas que rapidamente revelou o verdadeiro projeto: individualizar trabalhadores, enfraquecer a organização coletiva e aprofundar a precarização.
Para marcar a data, a CUT-RS publica o relato de Thomaz Campos, dirigente do SimtrapliRS, filiado a CUT-RS, que relembra a história dessa década e a trajetória de resistência que levou à reorganização sindical da categoria.
Do discurso da autonomia à realidade da precarização
“Os aplicativos chegam em Porto Alegre exatamente em 19 de novembro de 2015. No começo era aquela conversa de que você faria seu próprio horário, que era complemento de renda, que você era patrão de você mesmo. Tudo aquilo que hoje a gente sabe que era a estratégia do capital para enfraquecer as entidades de trabalhadores”, explica Thomaz.
A chegada dos apps trouxe para o volante um grupo extremamente heterogêneo: servidores públicos dirigindo no tempo livre, profissionais com graduação sem emprego formal, trabalhadores de baixa escolaridade, gente buscando qualquer alternativa para sobreviver. O discurso individualista prosperava mas não resolvia os problemas coletivos.
Com o avanço dos conflitos, como os ataques de taxistas no início, começaram a surgir grupos e associações de motoristas. “Mas associação não resolvia o geral. Cada grupo defendia só sua necessidade”, lembra Thomaz.
Da primeira tentativa à reorganização sindical
Em 2017 surgiu a primeira tentativa de sindicato, sabotada por uma direção fraudulenta. Somente em 2022, com a reorganização guiada pela CUT-RS e pela atuação do atual superintendente regional do Trabalho, Claudir Nespolo, à época dirigente da CUT-RS, e depois com o apoio do presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, o sindicato renasceu.
“Se não fosse a CUT, a gente não teria conseguido se reorganizar. Nossa sede física é dentro da CUT-RS. Recebemos apoio político, jurídico e orientação. A CUT foi fundamental”, afirma o dirigente.
Com a eleição de Carina Trindade para a presidência, o sindicato retomou força enfrentando também o machismo estrutural da própria categoria. Hoje, Karina é, além de presidenta do Simtraplirs, vice-presidenta da federação nacional de sindicatos de motoristas por app.
Reconhecimento e luta por regulamentação
O fortalecimento do Simtraplirs colocou a categoria no centro do debate nacional. Em 2024, o Ministério do Trabalho chamou sindicatos e plataformas para construir uma proposta de regulamentação que resultou no PL 1224, hoje em tramitação no Congresso.
“Não é o melhor dos mundos, mas é fruto de discussão entre categoria e plataformas. Hoje até as empresas já reconhecem que precisa regulamentar, mas, claro, não querem pagar os direitos devidos”, afirma Thomaz.
Enquanto isso, cresce a narrativa de influenciadores financiados pelas empresas dizendo que “se regular, as plataformas vão embora”. Para Thomaz, isso é falácia: “O Brasil é o maior mercado consumidor delas. Sair daqui seria matar a galinha dos ovos de ouro.”
Simtraplirs: 10 anos depois, um sindicato reconhecido
Hoje, o Simtraplirs mantém o Projeto Rodas, que cria delegacias sindicais em várias regiões do estado, participa de debates nacionais e integra espaços de diálogo sobre o futuro do trabalho.
A renda, porém, piorou. Com mais motoristas, corridas menores e tarifas achatadas. Mas a organização coletiva avança.
“Temos desafios enormes, mas várias conquistas. Reconhecimento é a principal delas. Nossa luta é para que a categoria saia dessa escravidão moderna e conquiste direitos, dignidade e condições decentes de trabalho”, conclui Thomaz.


